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EDITAL DE CONVOCAÇÃO TV ALTEROSA

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DE JUIZ DE FORA
CNPJ Nº 20.453.643/0001-06
EDITAL DE CONVOCAÇÃO

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora (MG), através de seu diretor Presidente, ao final assinado, nos termos dos estatutos sociais e legislação aplicável, CONVOCA todos os jornalistas profissionais que prestam serviços na TV Alterosa,, que este edital virem ou dele tomarem conhecimento, a participarem da Assembleia Geral Extraordinária Virtual a realizar-se no dia 19 do mês de março de 2026, em primeira convocação às 19h45 com a presença de metade mais um dos jornalistas da empresa e em segunda convocação às 20h com qualquer número de jornalistas, associados ou não, conforme previsto no artigo 8º, incisos III e VI, da Constituição Federal, e com o estatuto da entidade sindical, a ser realizada em meio virtual, com a seguinte ordem do dia:

1 – Avaliação sobre ações decorrentes de atraso de salários e do depósito do FTGS;
2 – Avaliação sobre a ausência de negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho;
3 – Deliberação sobre deflagração de movimento paredista (greve) e outras deliberações relacionadas à pauta;
4 – Estabelecimento de estado de assembleia permanente para que os trabalhadores voltem a reunir-se em qualquer momento que julgarem pertinente.

Para participar, o jornalista deverá enviar mensagem se identificando como jornalista profissional para o e-mail soujornalistajf@gmail.com, e informar número de celular para recebimento de link, o qual será enviado no dia da assembleia.

Juiz de Fora, em 16 de março de 2026.

BRUNO COSTA RIBEIRO

Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora

Quando o jornalismo se mostra essencial

Por Marise Baesso*

Duas semana após a tragédia que abalou Juiz de Fora e região, é necessário afirmar com clareza: o jornalismo foi essencial. Diante de um cenário devastador — 65 mortes, milhares de pessoas desalojadas e desabrigadas —, jornalistas locais e nacionais se uniram em um esforço que ultrapassou o profissional e alcançou o humano, e por vezes o sobre-humano. A demanda não foi apenas técnica, mas também física e psicológica. Coube a esses profissionais esclarecer fatos, números, investigar causas, circular por vários pontos da cidade, fiscalizar, denunciar falhas e, sobretudo, humanizar a dor.

Com os olhos do Brasil e do mundo voltados para a cidade, o jornalismo cumpriu sua função pública. Informou sobre ruas interditadas, atualizou números de vítimas, trouxe serviços, convocou voluntários, orientou a população em tempo real. Também foi além: contou histórias, deu nome às perdas, transformou números em pessoas. Digo isso ainda comovida, pensando em Pietro, um menino de 9 anos, a última vítima a ser encontrada entre os escombros
Houve humanidade no exercício da profissão. Jornalistas choraram junto às vítimas, se comoveram diante das histórias que ouviam e, em alguns casos, descobriram que também tinham familiares ou amigos entre os atingidos. Ainda assim, permaneceram ali. Não apenas registrando, mas ajudando — orientando quem estava perdido, sendo presença em meio ao caos.

Esse cenário contrasta com uma reflexão recente que eu mesma havia feito. Dias antes da tragédia, ao preparar uma aula, critiquei o jornalismo local pela dificuldade de ir além da superficialidade das redes sociais, muitas vezes pautadas por influenciadores ou páginas sem compromisso jornalístico. O caso em questão era um tremor de 2,1 graus na escala Richter — um fenômeno que gerou dúvidas na população e que poderia ter sido melhor explicado: foi natural? Houve interferência humana? Faltou aprofundamento, faltou mediação qualificada da informação.
Talvez não por acaso, ambos os episódios — o tremor e a tragédia — nos atravessam pelo mesmo eixo: a emergência climática e seus efeitos cada vez mais presentes.

Mas, diante da catástrofe, o jornalismo respondeu. E respondeu à altura.

Como costumo dizer aos alunos, o jornalismo precisa colocar o pé no barro. E colocou. Repórteres estiveram nas ruas, nas áreas de risco, nos abrigos. Enfrentaram lama, cansaço, dor. Até mesmo âncoras de grandes telejornais deixaram os estúdios para estar diretamente do local da tragédia, reafirmando a importância da presença, do testemunho, do olhar direto.

Em tempos de desinformação e descrédito, o que se viu em Juiz de Fora foi um lembrete contundente: o jornalismo profissional ainda é indispensável. Não apenas para informar, mas para dar sentido, organizar a realidade e, sobretudo, garantir que nenhuma história — e nenhuma vida — seja esquecida. Com o coração dilacerado por tudo o que vi, cumprimento a todos os colegas e faço um apelo para que nosso jornalismo enfrente e saia da crise, afinal, ele é necessário.

* Marise Baesso é jornalista.

Edital de Convocação

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DE JUIZ DE FORA

CNPJ/MF n.º 20.453.643/0001-06
EDITAL DE CONVOCAÇÃO

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora, Minas Gerais, através de seu diretor presidente, ao final assinado, nos termos dos estatutos sociais e legislação aplicável, CONVOCA todos os jornalistas profissionais de Juiz de Fora sindicalizados, que este edital virem ou dele tomarem conhecimento, a participarem da Assembleia Geral Extraordinária Virtual a realizar-se no dia 17 (dezesseste) do mês de novembro de 2025, em sessão única, por meio virtual. Sessão assemblear, às 19 (dezenove) horas e 50 (cinquenta) minutos, em primeira convocação, com a presença de metade mais um da categoria, e às 20 (vinte) horas, em segunda convocação, com a presença de qualquer número de membros da categoria. Para discutirem e deliberarem sobre a seguinte pauta: 1) Aprovação de emendas às teses-guias do 40º Congresso Nacional de Jornalistas; 2) Eleição de delegação para o 40º Congresso Nacional de Jornalistas.

Para participar da assembleia, o jornalista deverá enviar mensagem se identificando como jornalista sindicalizado para o e-mail sindicatojf@gmail.com, e informar o número de celular pelo qual pretende entrar no evento. O link será enviado no dia da assembleia.

Juiz de Fora, 13 de novembro de 2025.

NOTA DE REPÚDIO AO TÉCNICO DO TUPI FOOTBALL CLUB

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora vem a público manifestar seu repúdio à atitude do senhor Raphael Borges de Miranda, técnico do Tupi Football Club, que chamou de “vagabundo” um dos integrantes da equipe de jornalismo da Tribuna de Minas, que chegou a acompanhar o treino na área externa do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.

A agressão verbal ocorreu após o acesso dos jornalistas ter sido devidamente autorizado pela assessoria de imprensa do clube. De forma intempestiva, o treinador interrompeu a atividade e, de maneira agressiva, com um dos braços erguidos, passou a gritar em direção aos repórteres: “Isso é coisa de vagabundo, vagabundo!”

Com essa postura, o treinador tenta intimidar o trabalho jornalístico, desrespeita a liberdade de imprensa e atenta contra o exercício profissional.

Casos de violência e intimidação contra jornalistas têm aumentado no Brasil e no mundo. No contexto esportivo, infelizmente, é recorrente que dirigentes, técnicos e atletas, diante de momentos de pressão ou cobrança de torcedores, escolham atacar os profissionais da comunicação, em vez de reconhecer as próprias responsabilidades ou lidar com a crítica legítima e o interesse público que a cobertura jornalística representa.

O Sindicato lamenta que a postura do treinador Raphael Borges de Miranda contribua para a escalada desse tipo de violência. Exigimos uma retratação imediata por parte do técnico e um pronunciamento público do Tupi Football Club, instituição que sempre contou com o profissionalismo da imprensa juiz-forana na divulgação, valorização e preservação de sua história ao longo de seus 113 anos.

Reafirmamos que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora repudia qualquer ato de desrespeito, intimidação ou tentativa de cerceamento ao trabalho da imprensa, e reitera seu compromisso com a defesa da liberdade de expressão e com a integridade dos profissionais da comunicação, que, com dedicação e coragem, cumprem diariamente o dever de informar a sociedade.

CARTA ABERTA À REITORIA DA UFJF, GIRLENE ALVES DA SILVA, CONTRA A JORNADA DE 44H DOS JORNALISTAS TERCEIRIZADOS, QUE DESRESPEITA A PROFISSÃO E A LEI

Magnífica Reitora e Excelentíssimo Vice-Reitor,

Com o sentimento da mais viva indignação, a direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora vem, por meio desta carta, manifestar sua profunda preocupação com a situação dos jornalistas terceirizados que atuam na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Atualmente, esses profissionais cumprem jornadas de 44 horas semanais, em evidente contrariedade à legislação que regulamenta a profissão e que prevê 30 horas semanais de trabalho para jornalistas, conforme o artigo 303 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O Decreto-Lei nº 972/1969, que dispõe sobre o exercício da profissão, reforça o mesmo limite, e a Portaria nº 97/2012, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, fixa inclusive 25 horas semanais para jornalistas que atuam em órgãos da administração pública direta e indireta.

A manutenção dessa carga horária excessiva, além de ilegal, representa uma grave forma de precarização da atividade jornalística dentro de uma instituição pública que, pela sua natureza e missão, deveria ser exemplo de respeito aos direitos trabalhistas e à valorização do conhecimento técnico e intelectual.

Não há democracia que sobreviva sustentada por precariedade — seja no jornalismo ou em qualquer outro setor. Não há democracia sem escrutínio dos poderes econômicos e políticos, sem informação verificada, rigorosa e diversificada que ajude a sociedade a tomar decisões informadas. O jornalismo responsável é um pilar essencial da vida democrática e do combate à desinformação.

Em um momento histórico em que celebramos 40 anos da redemocratização do país, o jornalismo enfrenta novas ameaças. Uma delas é justamente a normalização das condições precárias de trabalho, que empobrecem a profissão, afugentam talentos e colocam em risco a própria qualidade da informação que circula no espaço público.

Relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) aponta que, apenas no último ano, foram registrados 144 casos de violência contra profissionais da imprensa — uma agressão a cada dois dias e meio. Mas a maior violência enfrentada pelos jornalistas brasileiros hoje é a precarização estrutural do trabalho, que se manifesta na sobrecarga, no adoecimento mental e físico, na violação de direitos e no empobrecimento da renda.

Estudos recentes apontam indicadores alarmantes de precarização social entre trabalhadores da comunicação: flexibilização da jornada e do salário, vínculos precários, multifuncionalidade forçada, infraestrutura insuficiente, intensidade de trabalho crescente, insegurança de vínculos e adoecimento. É esse o contexto no qual a UFJF — uma instituição que tem a democracia e o conhecimento como valores fundantes — mantém jornalistas terceirizados com jornada de 44 horas semanais.

Em seu discurso de posse, Vossa Magnificência afirmou que “a democracia nos é muito cara no ambiente da Universidade. Como valor universal que deve ser sempre caracterizado.” E, evocando Guimarães Rosa, citou: “Quem elegeu a busca não pode recusar a travessia.

O Sindicato dos Jornalistas de Juiz de Fora acredita que parte dessa travessia, hoje, passa pelo reconhecimento concreto da importância da categoria dentro da Universidade — e pela adequação imediata da jornada de trabalho dos jornalistas terceirizados aos parâmetros legais e éticos da profissão.

Em 2009, travamos uma luta árdua, mas bonita, para preservar a exigência do diploma para o exercício do jornalismo. Estávamos juntos: estudantes, jornalistas, professores e reitoria. Fomos derrotados, mas com a consciência de que detestaríamos estar no lugar de quem nos venceu.

Isso porque a suposta vitória não se deu com base em princípios éticos ou constitucionais, mas se fundamentou em interesses empresariais voltados à contratação de mão de obra barata e não especializada. Esperamos que a Universidade Federal de Juiz de Fora, enquanto espaço de saber, não repita essa lógica, mas reafirme o valor do jornalismo profissional como instrumento de cidadania, transparência e democracia.

Pensar em substituir cargos jornalísticos por funções análogas pinçadas da Classificação Brasileira de Ocupações é demonstrar falta de compreensão sobre a natureza intelectual, técnica e social da atividade jornalística. O jornalismo não é intercambiável com funções “mais em conta”. É ele quem assegura a qualidade da comunicação pública, o rigor da informação e o direito da sociedade a ser informada de maneira ética e responsável.

Magnífica Reitora, seguindo o que nos ensina o poeta, jornalista e letrista piauiense Torquato Neto: “É preciso que haja alguma coisa alimentando o meu povo; uma vontade, uma certeza, uma qualquer esperança.” É assim, sedentos de uma qualquer esperança, que apresentamos o nosso apelo para que a UFJF reveja sua posição e adote medidas imediatas para reduzir a jornada dos jornalistas terceirizados, adequando-a à legislação e aos princípios que regem o serviço público e a atividade jornalística.

Defender condições dignas de trabalho é defender a democracia. E nenhuma universidade pública pode se omitir dessa travessia.

Juiz de Fora, novembro de 2025.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora